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Flor de Gume - Ganhador do Prêmio Jabuti 2021 - Categoria Contos

R$ 52,90

Com sua prosa poética intensa, a autora passeia pelas ruas e pelas águas do Pará, trazendo à tona as dores de meninas, mães, avós. Três gerações de mulheres fortes, em 37 contos da autora paraense Monique Malcher.

“Monique não parece preocupada em desenvolver uma fórmula literária e sim, muito mais do que isso, produzir o gesto narrativo em seu ato contínuo, umedecido porque recém-saído do ventre.”

Paloma Franca Amorim, escritora paraense, no prefácio do livro 

Autor(a): Monique Malcher
ISBN13: 9786587113036
Edição: 1ª
Número de páginas: 232
Acabamento: brochura
Formato: 12 x 21 cm

Leia o prefácio completo:

As flores choram sozinhas na floresta, 
as pétalas com gume, 
porque precisaram se proteger.

Foi pelas ruas e pelos rios, certamente, que Monique trafegou pelo pensamento enquanto escrevia Flor de Gume e isso me diz muito, não pelas vias explicativas nas quais aqui me alinho para produzir essa reflexão, não, a experiência que tive ao ler Flor de Gume foi a de trafegar entre o cimento, o asfalto e as águas – de dentro e de fora – de uma terra Amazônia e de uma terra mulher, ambos lugares também de meu pertencimento.

Este livro não se encaixa necessariamente em uma categorização de gênero, estabelecendo assim uma relação muito viva entre prosa e poesia, Monique não parece preocupada em desenvolver uma fórmula literária e sim, muito mais do que isso, produzir o gesto narrativo em seu ato contínuo, umedecido porque recém-saído do ventre. Em alguns dos contos/poemas, esses que mais me encantaram, a autora busca a palavra no agora a fim de fazê-la espelho de um resgate memorial, sob a égide estética de um tempo vencido por si mesmo.

Creio que, mais do que a importância do lugar de fala de Monique como autora, seja importante lembrar dos mecanismos discursivos existentes ao longo de Flor de Gume, a começar pelo título provocante a nos encaminhar para um universo interpretativo que extravasa o lugar-comum de muito do que a dita literatura política produziu no primeiro decênio deste século.

Flor de Gume parece mais com a configuração drummondiana da náusea social causada pelos dias e pelas horas, perfurada pela flor, feia, porém bela, criando em todos e todas a esperança em face do nojo e do ódio. A flor de Monique me parece um bocado mais lasciva e ferina, como as plantas serrilhadas, o capim cortante, aqueles matos por onde nos embrenhávamos na escola para caçar soldadinhos.

As pernas lanhadas, coçando, um filete de sangue sob os joelhos. O suor escorrendo no peito, na testa, debaixo dos sovacos. As descobertas da infância eram também a ousadia do lançar-se ao risco, às feridas e sua cicatrização. Decido deixar essa imagem com o leitor, para apresentar este livro: um olhar primeiro, iniciático, para as primeiras dores, as primeiras dores de si, as primeiras dores do mundo.

Paloma Franca Amorim (autora de Eu preferia ter perdido um olho)

Trechos do livro Flor de Gume:

“Entrava no barco como se entrasse na vida das histórias das mulheres da minha família. Mergulhava fundo na encantaria. As embarcações eram lugar estranho e ao mesmo tempo meu território.”

"Todas as palavras de afeto eram sempre escolhidas com muita violência, ancoradas por um tipo de amor que estampa capa de jornal. Todo dia, uma mulher é assassinada porque alguém a odeia, e o crime é chamado de passional. Como se o afeto estivesse no ferir.” 

“Todos os dias não sabia o que fazer comigo mesma, procurava formas diversas de me tornar a Silvia surda, porque doía imaginar o que os gritos eram. Tinham imagem, rosto. O sofrimento não é desastre natural, ele é arquitetado por quem tem poder.”

“A vida é sempre novidade, que nem o rio que arrodeia cada passo que a gente dá, tudo vai só chegando e vou na espreita lutando, esperando, tudo de uma vez só.” 

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